
O rapper Fábio Brazza e artistas da cena Hip Hop de Porto Velho participaram de uma manhã de interação e troca de experiências
Uma manhã de conhecimento mútuo e intensa interação marcou a rotina dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Unidade de Internação Masculina Sentenciada de Porto Velho. O evento festivo reuniu música, microfone aberto e, acima de tudo, a oportunidade de ouvir e ser ouvido. Os jovens ficaram frente a frente com artistas, psicólogos, assistentes sociais e membros de organizações não governamentais e da Fundação Estadual de Atendimento Socioeducativo (Fease).
A iniciativa, que promoveu um verdadeiro diálogo de transformação, trouxe a Porto Velho o cantor e poeta paulista Fábio Brazza para uma rica troca de experiências com os internos.
O evento contou com a presença do desembargador Isaías Fonseca, coordenador da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), que reforçou o papel da internação como um período transitório de aprendizado. “Aqui é só uma passagem, apenas um processo para que eles recuperem suas vidas e retornem à sociedade. Convido toda a comunidade que quiser participar e somar com a socioeducação; estamos de braços abertos para recebê-los”, destacou o magistrado.
A atividade também foi acompanhada de perto pela coordenadora do Núcleo Psicossocial de Apoio à Execução das Medidas Socioeducativas (Nupem), a psicóloga Thais Francine de Paula, e pelos assistentes sociais Sávio Roberto, Roseli Torres e Tomas Magno. Os profissionais enfatizaram a importância de ações que quebrem a monotonia institucional e tragam novas perspectivas. Para Thais, o evento trouxe influências diversas e caminhos positivos para o cotidiano dos jovens: “A arte e a cultura transformam”, pontuou.
Denominada roda de diálogo “Construindo Novos Caminhos”, a ação foi promovida pelo Movimento Hip Hop da Floresta (MHF), em parceria com o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Rondônia (Sinjur), e mediada pelo coordenador do MHF, Edjales Benício. O encontro contou ainda com o apoio e a participação das ONGs Cedeca (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente) e Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé.
Para o professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e pesquisador da cultura Hip Hop, Carlos Guerra, a arte cumpre um papel histórico de pacificação. Ele explicou aos jovens que, na sua gênese, as batalhas de rima e o break surgiram nos subúrbios de Nova York como alternativas pacíficas às disputas territoriais de gangues. Essa opção pela arte em detrimento da violência é o que molda a trajetória do movimento, sustentado por seus cinco elementos essenciais (DJ, MC, Break, Grafite e o Conhecimento).
Para o rapper Fábio Brazza, a experiência foi extremamente potente e conectada com a própria essência do gênero musical. “Foi uma experiência inesquecível. O Hip Hop serve para abrir portas, discutir ideias e ajudar a encontrar novas oportunidades de vida. Espero ter plantado uma semente e, ao mesmo tempo, saio transformado por escutá-los. Os lugares que a gente pisa condicionam o que a gente pensa; estar aqui nos faz aprender com realidades diferentes e fortalece a atuação da rima”, declarou o artista paulista.
O ponto alto do evento foi o protagonismo dos próprios adolescentes. Eles compartilharam suas trajetórias, o desejo de mudança e os planos para o futuro após o cumprimento das medidas, que incluem o sonho de trabalhar, estruturar a família e jogar futebol. Refletindo o impacto de oficinas e interações anteriores já realizadas com artistas locais, um dos internos surpreendeu ao apresentar suas próprias rimas e protagonizar um dueto improvisado com Fábio Brazza, simbolizando a verdadeira essência da manhã: a descoberta de novos caminhos por meio da palavra, da voz e da poesia.
Assessoria de Comunicação Institucional
Fonte: TJ RO





















