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Justiça Rápida Itinerante realiza mais de 6,5 mil atendimentos em 10 comunidades ribeirinhas do Baixo Madeira

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Casamentos, solução de conflitos trabalhistas e intercâmbio entre magistrados de diferentes estados marcaram a operação.

A foto colorida mostra morador passando sob escada para conseguir atendimento

Durante 14 dias, dez comunidades ribeirinhas do Baixo Madeira receberam ações de cidadania, por meio da Operação Justiça Rápida Itinerante. Realizada entre 24 de abril e 7 de maio, a iniciativa somou quase 7 mil atendimentos, levando direitos fundamentais e fortalecendo a presença do Poder Judiciário justamente onde o acesso é mais difícil.

Ao todo, foram registrados 6.952 atendimentos nas comunidades de Calama, Demarcação, Gleba Rio Preto, Ressaca, Papagaios, Santa Catarina, Nazaré, Lago do Cuniã, Cavalcante e São Carlos.

O Poder Judiciário promove a Justiça Rápida Itinerante Fluvial por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec),e Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc).

A colagem de nove fotos coloridas mostra ação no baixo madeira

Balanço

Entre as principais demandas, destacaram-se os atendimentos do Tribunal Regional Eleitoral (1.423), Ministério do Trabalho (1.611) e o programa Tudo Aqui do Governo do Estado (1.236), sendo a emissão de CPF um dos serviços mais procurados. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também participou, prestando auxílio em 441 solicitações, assim como a equipe psicossocial do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), que efetuou 753 atendimentos. Esses números demonstram o alcance da operação e exemplificam como ela facilita o acesso a direitos básicos.

Um dos rostos por trás desses números é o de Maria Carla de Souza, de 44 anos, que transferiu o título eleitoral para o Lago do Cuniã, a comunidade onde vive, ressaltando a praticidade do atendimento e a importância de participar da festa da democracia neste ano de 2026.

A foto colorida mostra moradora após conseguir titulo de eleitor

“Esse é um ano eleitoral. Se eu não me regularizasse, eu não iria poder votar, né? Agora eu e meu esposo vamos poder votar aqui. Daqui para Porto Velho a gente leva mais de 3 horas de viagem. Então, a Justiça vindo aqui ajuda muito”, comentou.

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Casamentos e reconciliações

Um dos destaques para a juíza Márcia Masioli é o cuidado especial nos casamentos e a busca por um atendimento mais humano. “Conseguimos reunir alguns pequenos mimos para os noivos e noivas, como túnica branca, véu, grinalda e buquês, além de organizar uma campanha de doação de ternos. Em cada cerimônia, customizamos os discursos com a história dos noivos para que se sentissem realmente especiais, porque é assim que são”, compartilhou.

Entre os casais atendidos, estão Elias Dantas de Souza e Maria Gomes de Souza, que narraram o histórico do relacionamento: houve o casamento, a separação e agora uma nova reconciliação, tudo isso na Justiça Rápida Itinerante.

A foto colorida mostra casal se reconciliando no baixo madeira

“Eu sempre fui apaixonado por ela. E foi tudo muito tranquilo entre nós; sempre tivemos contato e apoio, mesmo quando não estávamos juntos”, relata Elias. Ele conta que as separações ocorreram em razão da depressão, condição contra a qual enfrenta uma batalha diária.
Agora, juntos novamente, o casal celebra o recomeço e já faz planos para uma lua de mel no Nordeste brasileiro. Pais de três filhos, Elias e Maria reforçam que o amor e o companheirismo foram fundamentais para superar o tempo separados e reconstruir a relação.

Intercâmbio de experiências

A operação também possibilitou intercâmbio entre magistrados de diferentes estados, enriquecendo a troca de experiências. A desembargadora Quitéria Vieira, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), comentou sobre o impacto pessoal que ela teve ao perceber como as pessoas têm fé na Justiça.

“Nenhum livro ou artigo científico conseguiria demonstrar com perfeição e sensibilidade o que é vivenciar isso aqui. Ver a comunidade esperando a chegada do barco, testemunhar transformações, casamentos, regularizações, o acesso a direitos. A cada instante, ao olhar dentro deste barco, vemos um cidadão com a certeza de ter sua reivindicação atendida”, destacou.

Da mesma forma, o juiz Carlos Eduardo Mattioli, do TJ do Paraná, descreveu a experiência como transformadora. “É inenarrável. A experiência traz conhecimento técnico, mas especialmente questões sensíveis, ligadas à experiência humana, que nos transformam profundamente. Não há como voltar igual. Todos voltamos diferentes após uma experiência como essa”.

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A colagem de nove fotos coloridas mostra ação no baixo madeira em Porto Velho

Conciliação

O juiz do Trabalho, Paulo Gonçalves, que vive no estado do Acre, atuou em uma situação delicada: a iminência de greve no setor de energia, motivada por denúncias de não pagamento de salários e verbas trabalhistas por parte de uma empresa fornecedora de energia nas comunidades do Baixo Madeira.

A Justiça do Trabalho buscou conciliar o direito dos trabalhadores de receber seus salários e preservar a dignidade, sem comprometer a continuidade dos serviços essenciais para a população local. De dentro do barco, a equipe intermediou o diálogo entre trabalhadores, sindicato, Ministério Público do Trabalho e a empresa, superando o desafio imposto pelo isolamento das comunidades.

Como resultado, foi estabelecido um cronograma de pagamentos e os primeiros salários já foram depositados, trazendo alívio e segurança aos trabalhadores e moradores.

“A importância da Justiça do Trabalho aqui, com parceiros como o Ministério do Trabalho e o INSS, é trazer ações de cidadania”, afirmou Paulo Gonçalves.

A colagem de nove fotos coloridas mostra ação no baixo madeira

Dignidade

A defensora pública Nicole Dimichieli destacou que participar da operação é muito marcante, porque aproxima o serviço de justiça da população, que tem dificuldade de acessar os serviços nos grandes centros. “É fundamental garantir orientação jurídica integral e gratuita e conferir dignidade às pessoas que moram nessas localidades”, comentou.

Durante a operação, um dos casos significativos chamou a atenção da defensoria: uma família caminhou cerca de 20 quilômetros em estrada de terra e lama, para conseguir atendimento no barco da Justiça. “Apesar das dificuldades, estavam muito gratos e satisfeitos com a presença da Justiça um pouquinho mais próxima”, contou a defensora.

Assessoria de Comunicação Institucional

Fonte: TJ RO

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