Mais do que uma exposição técnica, uma reflexão institucional sobre o papel do Estado, da democracia e da capacidade das instituições públicas de gerarem transformação social concreta.
Com uma abordagem considerada inovadora, profunda e conectada aos desafios contemporâneos da administração pública, a palestra magna de abertura do Fórum, nesta quarta-feira (27/5), em celebração aos 43 anos do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, mobilizou participantes, estimulou reflexões e reforçou um novo olhar sobre o papel do controle externo na sociedade.
Ao apresentar o tema “Estado, Democracia e Controle Externo com Propósito”, o presidente do TCE-RO, conselheiro Wilber Coimbra, defendeu uma atuação pública cada vez mais orientada por resultados concretos, impacto social, evidências e geração de valor público.
A exposição chamou atenção pela densidade técnica aliada a uma linguagem acessível e estratégica, aproximando conceitos complexos da realidade vivida pela população e pelos próprios agentes públicos.
Logo no início da apresentação, uma das reflexões que mais repercutiram entre os participantes sintetizou o eixo central da palestra: “O Estado não existe para funcionar, editar normas ou movimentar processos. O Estado existe para transformar positivamente a vida das pessoas”.

“É uma nova metodologia que faz com que o tribunal reflita internamente e passe a selecionar ações que mais geram impacto e resultado na sociedade. Saímos, então, de um tribunal que só analisava leis e atos normativos para de fato fazer a diferença na vida do cidadão”, ressalta o secretário-geral de Controle Externo do TCE-RO, Marcus Cézar Filho.
CONTROLE EXTERNO COM PROPÓSITO
Durante a palestra, foi defendida a necessidade de superar uma visão exclusivamente formalista da administração pública, avançando para um modelo de controle externo capaz de medir impactos reais e induzir melhorias concretas na vida da população.

A apresentação trouxe conceitos relacionados ao modelo CHAP (Conhecimento, Habilidade, Atitude e Propósito) e à metodologia M-RAIG (Matriz de Resultados e Avaliação de Impactos Gerados) apresentados como tecnologias organizacionais voltadas à governança estratégica, à mensuração de resultados e à demonstração objetiva do valor público gerado pelas ações institucionais.
Segundo a abordagem apresentada, o controle externo precisa ir além da simples verificação burocrática e fortalecer sua capacidade de orientar políticas públicas, reduzir desigualdades, melhorar serviços e ampliar a efetividade das entregas feitas ao cidadão.
A palestra também enfatizou que democracia não se sustenta apenas em procedimentos formais, mas na capacidade concreta de entregar direitos, serviços públicos eficientes e transformação social perceptível.
PALESTRA REPERCUTE ENTRE PARTICIPANTES
A repercussão da palestra foi imediata entre servidores, membros, gestores, técnicos e participantes do fórum, especialmente pela forma como a apresentação conseguiu unir profundidade técnica, visão institucional e sensibilidade social.

Para o auditor de controle externo Cléverson Redi do Lago, a palestra ampliou a compreensão sobre o verdadeiro sentido do trabalho realizado pelos órgãos de controle.
“Muitas vezes, o administrador público gasta os recursos segundo seu bel-prazer, mas com o modelo CHAP, principalmente pelo propósito, ele tem de justificar isso, contribuindo, assim, para os resultados e melhor atendimento às necessidades sociais”, disse.

Já o servidor da área de TI, Cleildo Silva, destacou a capacidade da apresentação de envolver o público. “Essa proposta trazida pelo presidente é interessante para nós, servidores, pois visa exatamente melhorar, cada dia mais, nossos serviços e, com isso, as entregas para a sociedade”, completa.
Pâmela Mirelli, que trabalha na Administração, buscou valorizar o foco na humanização trazido pelas novas tecnologias criadas pelo presidente Wilber Coimbra.

“O modelo CHAP nos traz um senso de propósito que nos auxilia na execução do trabalho no dia a dia. E a matriz M-RAIG nos traz resultados sindicáveis, mensuráveis e rastreáveis, que melhoram nossas entrega para a sociedade”, acentuou.
GOVERNANÇA, IMPACTO E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Ao longo da exposição, também foram apresentados exemplos práticos aplicados às áreas da educação e da saúde pública, demonstrando como metodologias orientadas por dados, indicadores e monitoramento contínuo podem contribuir para políticas públicas mais eficientes e conectadas às necessidades reais da sociedade.

Outro ponto que despertou atenção dos participantes foi a defesa de uma atuação cada vez mais racional, pedagógica e proporcional do controle externo, baseada em evidências, análise de contexto e foco em resultados concretos.
A palestra também reforçou a importância de instituições públicas capazes de aprender, corrigir rotas, orientar gestores e produzir impactos positivos verificáveis para a população.
ATUAÇÃO FORTE DO MPC-RO NA DEFESA DO INTERESSE PÚBLICO
Ainda na programação de abertura do 43º Fórum Nacional, o procurador-geral do MPC-RO, Miguidônio Inácio Loiola Neto, também se manifestou, reforçando a atuação do Ministério Público de Contas na defesa do interesse público e no aprimoramento contínuo do controle externo.

“O que faz órgãos, como o Ministério Público de Contas, serem diferentes é exatamente buscar políticas públicas efetivas, gerando valor público e propósito para impactar de forma positiva a vida da nossa população”, destacou.
PROGRAMAÇÃO REPLETA DE PALESTRAS
O Fórum, em celebração aos 43 anos do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, continua ao longo desta quinta-feira (28/5) com uma série de palestras, debates e painéis voltados ao fortalecimento da governança pública, da inovação institucional e da construção de soluções capazes de gerar impactos positivos e duradouros para a sociedade.




















